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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Coisas da fotografia

Tenho assistido a algumas conversas sobre fotografia ao longo de mais de vinte anos. Coisas do tipo “comprei uma máquina XPTO que faz isto, aquilo e ainda fotografa???” Parece os telemóveis, fazem tudo incluindo telefonemas. FANTÁSTICO.
Quando me iniciei na fotografia, tudo isto me parecia espantoso e durante anos sofri porque tinha uma máquina completamente manual e mesmo o manual não era muito simplificado. Tinha de carregar num botão que fechava o diafragma para medir a luz, ficava tudo escuro no visor, perdia-se um tempo enorme a fazer a medição e, quando se disparava, já o assunto tinha fugido (alguns assuntos têm esse defeito. Fogem).
Passados uns anos valentes lá consegui comprar uma automática, com manual, semi-manual, computador de bordo, lavatório e sanita. Tinha tudo a máquina. Todo feliz, durante uns tempos, fotografava tudo e todos. Foi aí que descobri que o facto de utilizar automáticos me estragava as fotografias, o raio da máquina tinha tudo menos inteligência, é que me tinha esquecido dos enquadramentos em prol da regularização das dezenas de botões que faziam parte da dita máquina, e a dita cuja (máquina) não me informava que estava a enquadrar mal, não me dizia que nesta ou naquela situação de luz não era nem este nem aquele diafragma, ou velocidade. Para ela estava sempre tudo bem.
Foi ai que me lembrei da primeira máquina que me passou pelas mãos, tinha apenas um botão de disparo e uns bonequinhos com um sol muito grande, um sol mais pequeno, um sol com nuvens, umas montanhas com neve um barco no mar e ao espreitar pela objectiva da máquina, quando mexia no botão, vi que o diafragma fechava ou abria. Dois botões? WTF, até a minha Canon manual tinha mais. Os rolos tinham os mesmos símbolos e o raio da maquineta fazia fotografias excelentes.
Desde essa altura raramente utilizo automáticos. Um destes dias utilizei a Nikon D70 com umas objectivas totalmente manuais. Fiquei reduzido ao botão do ISO, ao da velocidade de disparo e ao próprio botão de disparo, o resto népia, nem fotómetro, nem focagem automática, nem automáticos com prioridade á abertura nem ao diafragma nem automático completo, nem modo desporto, paisagem, retrato etc.
Olhei para o velho papel dos rolos, para o sol que fazia nesse dia (um solzinho pequenino) e, com a máquina a 200 ISO regulei a velocidade para 1/250, um F/11 (regulado à mão na objectiva), era isso que vinha no papelinho, e desatei a disparar sem me preocupar com mais nada a não ser assuntos e a melhor maneira de enquadra-los e, obviamente, a focagem manual. Espantoso, a exposição estava toda correcta, nem uma foto escura, nem com excesso de luz, cores fantásticas, uma definição espantosa, nem passaram pelo software de imagem.
Conclusão: a fotografia não mudou, nós é que a complicamos.

P.S.
1. O manual da minha coolpix é maior que a máquina.2. Consegui recuperar a maquineta dos bonequinhos, que guardo religiosamente para não me esquecer quão simples é a fotografia.

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